segunda-feira, 21 de março de 2011

Como se mede?

 Hoje escrevo sobre algo na qual fui questionado, ser capoeirista, um ex-amigo disse que era mais capoeirista do que eu, disse que eu não era capoeirista por não freqüentar os locais que em outros tempos freqüentava assiduamente, por não mais conversar assuntos que hoje considero sem propósito e mais do que isso não me enriquecera enquanto pessoa em nada.
Diante disso pensei como se mede que alguém é mais capoeirista que o outro? E quais os mecanismos para essa medição? As respostas que vieram à cabeça foram essas: talvez o tempo de dedicação (treinos e etc) a capoeira, a qualidade do trabalho desenvolvido, a fama, a trajetória de uma forma geral.

Busco mudanças sim! E não serão palavras mal empregadas que me farão recuar daquilo que busco na minha trajetória, se hoje eu não freqüento a roda A é porque não sinto que o que busco hoje pra mim esteja lá. A Capoeira é livre e como capoeirista eu também sou livre. Não sinto falta do que to deixando para trás ate porque meus horizontes me fazem crer que estou no caminho certo, buscando fazer novas amizades e deixando outras para trás e fortalecendo os laços das poucas amizades que de fato tenho hoje treino muito mais do que em outrora e em breve chegara o momento de começar a voar a procura das “rodas perfeitas”, conhecer outras mentalidades, outros grupos sem precisar julgar ou ser julgado como fui por esse ex-amigo.
Eis o que me credencia a ser um capoeirista nem mais e nem menos de que qualquer outro é buscar por aquilo que acredito na capoeira, é a trajetória que farei dentro e fora da capoeira, se hoje eu não estou freqüentando a determinados locais é porque busco novas experiências e não porque uns e outros acham que estou fora do grupo, brigado com algumas pessoas, apenas sinto vontade de andar com minhas próprias pernas deixar de ocupar espaço para abrir oportunidades para outras pessoas, isso nada mais é que renovar. Meu respeito pelo mestre sempre existira, pois foi ele que me ensinou o que eu sei hoje na capoeira, independente do que falem por ai eu tenho plena capacidade de assimilar tudo o que aconteceu, acontece e acontecerá, não uma calça, ou uma lã amarrada na cintura ou um símbolo modificado que vai me desqualificar a estar e a viver no grupo em que pensava que a chama tinha se apagado grupo esse a qual eu aprendi a respeitar e hoje mais do que nunca sinto um amor pelo Cordão De Ouro a qual me orgulho de fazer parte.

O que da direito a uma pessoa a se julgar melhor capoeirista que outra? Que atitude é essa? Melhor em que? Não sabe do passado, não sabe que antes dele existiram outros e esse presente em que vive é tão vazio que é incapaz de visualizar um futuro promissor, se gaba da corda na cintura e não é capaz de transmitir valores simples da capoeira como fazer amizades, não é capaz de ensinar aos seus próprios alunos a jogar sorrindo, prefere ensinar a violência e plantar falsidade e vejam vocês no final sou eu que sou menos capoeirista por buscar novas possibilidades, novos olhares, novas atitudes, e nisso eu vou ate o fim, pois é o que acredito.
Ex-amigo por não saber entender o momento em que me encontro por não me apoiar
Ex-amigo por me criticar negativamente, talvez nunca tenha sido meu amigo de verdade o que é uma pena.
E quanto aos mecanismos de escala para saber como um capoeirista é mais capoeirista que o outro eu vou ficar esperando as opiniões de vocês.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Só pra não passar em branco.


Há exatos 13 anos atrás, lá estava eu iniciando minha caminhada na capoeira, no grupo Cordão De Ouro c/ o Mestre Irani, eu iria escrever muitas coisas sobre essa data, mas prefiro apenas lembra-la para me fazer lembrar que sempre tenho o que aprender, pra me fazer lembrar que quanto mais tempo de capoeira mais cresce a responsabilidade com ela. Então só pra não passar em branco eu completo 13 anos de capoeira onde começo a entrar na adolescência, tomara que eu não seja um adolescente rebelde [risos]

I aula de Maculelê (CDO Tirol)

Conversando sobre a musicalidade no maculelê
Após a roda de maculelê
O treino
Roda de Maculelê
Bailarina e o Instrutor Cipó
Olá é com grande prazer que escrevo esse post, realizamos ontem a primeira aula de maculelê, essa atividade foi organizada pelo professor Raivoso e ministrada pelo o instrutor Cipó (capoeirista, ator e dançarino) que tinha como objetivo apresentar essa expressão cultural o maculelê de forma teórica e pratica aos alunos do CDO Tirol.
Num clima descontraído o instrutor Cipó realizou uma dinâmica de aquecimento onde colocou todos para se movimentar no salão e em seguida iniciou a aula em si. Ao som do atabaque os alunos começaram a entrar no clima do maculelê pegando seus passos básicos o instrutor Cipó se empolgou com o envolvimento dos alunos e à aula que deveria durar 1 hora extrapolou o tempo durando aproximadamente 2 horas e meia, no final foi realizda uma roda de maculelê onde todos participaram e encerrando com o momento de escutar o que os alunos acharam da aula.

Quero agradecer ao Instrutor Cipó pela aula que em minha opinião foi um sucesso agradeço também aos alunos do CDO Tirol que mostraram mais uma vez o comprometimento com as atividades que realizamos. E me aguardem quem vem mais atividades por ai...

sexta-feira, 4 de março de 2011

Instrutora Chiquinha

Chiquinha Capoeira Raça (Chile)

Com muito prazer que apresento essa entrevista com a instrutora Chiquinha do Grupo Capoeira Raça do Chile. Em 2007 tive o prazer de conhecê-la pessoalmente e mais adiante me tornar amigo dessa grande capoeirista, que representa o espirito guerreiro da capoeira na América Latína diante disso foi um dos nomes que me vieram a cabeça nessa segunda fase de entrevistas com capoeiristas femininas que de cara já é uma das melhores entrevistas que realizei, Obrigado Chiquinha pela oportunidade e pela confiança.  Então vamos ao que interessa e ver o que ela tem a dizer.

Inst(a) Chiquinha
1) Como conheceu a capoeira e porque decidiu treinar?

Conheci a Capoeira mais ou menos no ano de 98’, por causa de uma colega de escola que treinava com o pai dela, ela tinha chegado no Chile há pouco tempo e a família dela era Paulista, no ano 2001 meu melhor amigo me convidou pra fazer uma aula, pois estava tendo capoeira na quadra do bairro, foi depois disso que conheci no mesmo ano meu Mestre Badogue jogando numa roda de rua, após uns dois meses daquela roda o vi mais uma vez, ele me ensinou a fazer macaco rsrs...conversamos e decidi começar a treinar Capoeira MESMO, pois a arte me conquistou por completo.

2) Qual é sua relação com a capoeira? (sua historia com a capoeira)

Eu comecei capoeira com 13 anos de idade, a verdade é que comecei sem visar um futuro certo, levava a sério, mais era assim como tudo o que fazia... Recebi meu primeiro cordel em 2002 com a presença do Mestre Magrelo e meu padrinho de Capoeira agora Mestre Ninja no Chile, depois do meu batizado não parei mais. -Graças a Deus e ao Meu Mestre tenho me mantido firme dentro da Capoeira, e espero que seja assim sempre. A minha relação com a Capoeira é algo que sinceramente me custa descrever, é magia, sinto amor pela Capoeira é algo que está em mim, e ninguém pode tirar-me, mesmo sendo “Gringa” rsrs! A Capoeira está no sangue rsrs!.

3) Qual a atividade que você desenvolve com a capoeira? (trabalhos desenvolvidos c/ a capoeira)

No Chile o nosso grupo desenvolve um trabalho constante, eu em particular comecei a dar aulas, sempre com trabalhos sociais, meu primeiro trabalho de capoeira foi em 2007 num orfanato de meninas, logo em 2008 fiz parte da equipe da prefeitura de Maipú, que é a cidade onde eu moro onde existe ainda um projeto supervisado por meu Mestre Badogue focado aos adolescentes da cidade. Atualmente eu desenvolvo um trabalho com crianças portadoras de necessidades especiais na escola ANDALUÉ, e outro trabalho paralelo na academia de artes marciais da cidade.

4) Para você o que é ser mestre de capoeira, como é sua relação com o mestre e o que ele representa?

O Mestre para mim é um guia, não somente na aula de Capoeira e sim na vida, acredito que Mestre se faz por merecimento e reconhecimento da comunidade, não somente pelo trabalho do professor, e sim pelo modo de agir, pelo pensamento e a seriedade do trato com as pessoas. Meu Mestre Badogue tem sido uma peça fundamental em minha vida, pois eu perdi meu Pai cedo, e ele se fez presente até sem saber, por muitas vezes que eu precisei de um conselho ou simplesmente palavras durante a minha adolescência, hoje em dia a minha relação com ele é ótima, o que mais admiro nele é a capacidade de respeitar as opiniões dos alunos, tomar as idéias, as críticas sempre construtivas, claro. Para mim ele representa um exemplo de superação e disposição para á capoeira, pois está sempre velando para fazermos crescer e incentivando para que nós podamos ajudar ele para levar a Capoeira em frente e sem medo.

5) Como sua família lida com uma mulher capoeirista em casa?

No começo minha mãe não gostava muito da idéia, mais com o tempo ela começou a tomar o gostinho RS! Começou a perceber que a Capoeira estava me ajudando a crescer como pessoa, e que as amizades que eu tinha feito eram boas e duradouras, sempre me apoiou e incentivou a minha prática e permanência. As vezes ela não gosta muito de ouvir o berimbau tocando o dia todo rsrsrs, mais logo entende que isso faz parte do Capoeira RS!

6) Como você vê a importância da mulher na capoeira?

Acredito que tanto o homem quanto a mulher dentro da capoeira tem a mesma importância é claro que não é igual em termos de força por natureza, mais os dois nos complementamos, assim como na roda da vida.

7) O que está faltando para melhorar a Capoeira feminina?

A meu ver nós mulheres temos melhorado muito na capoeira, mais creio que ainda falta um pouco mais de perseverança, por muitas vezes levar a capoeira mais a serio e perder esse “não posso”.

8) Como está a Capoeira feminina no Chile?

As mulheres aqui estão melhorando a cada dia mais, tenho amizade com muitas capoeiristas fora do grupo e tenho visto uma grande melhora tanto dentro do grupo Raça, como no grupo Sul da Bahia comandado pela instrutora Alena aqui em Santiago. O pessoal está sempre melhorando e jogando muita Capoeira.

9) Além de você, têm outras mulheres que se destacam no grupo Raça?

[Risos] Não creio ser destaque mais sim, no grupo Raça aqui tem Coni e Sylvia que são excelentes exemplos de capoeiras tanto de monitoras como ótimas alunas do meu Mestre.

10) Um momento marcante para você em sua trajetória na capoeira? (pode ser mais de um)

O momento mais marcante para mim dentro da capoeira foi em 2007, quando tive a primeira oportunidade de viajar pro Brasil e conhecer a Mestra Vanessa, quem desde um tempo pra cá tem sido praticamente uma Mãe no meu caminho da capoeiragem assim como é a Professora Pimenta de Itabuna quem também tem ajudado muito ao meu desenvolvimento (sobre tudo do meu aprendizado no português rsrsrs!). Outro momento marcante foi a primeira aula com o Mestre Medicina, foi aí que comecei a acreditar na Capoeira ainda com mais força ao ouvir as palavras do Mestre e conhecendo sua história.

11) Qual o futuro da mulher na capoeira?

Creio que a mulher tem muito a entregar dentro da Capoeira assim como vocês homens, a união sempre fará a força em termos de organização e trabalhos com a capoeira. A mulher ainda ganhará mais terreno e ela é uma peça importantíssima dentro dos grupos de Capoeira.

12) Quais são seus planos para o futuro?

Meus planos são sempre trabalhar e lutar para continuar levando a capoeira em frente, crescer no âmbito profissional estudar mais e estar sempre treinando e em contato com a Capoeira.

terça-feira, 1 de março de 2011

Dia da Mulher

Dia da mulher.


Hoje é um dia que é tido como dia da mulher, essa data poderiam ser todos os dias, deixo aqui minha singela homenagem a todas as mulheres em especial aquela que pratica a nobre arte, pois essas sim são verdadeiras mulheres, irmãs, filhas, mães, tias, avós porque não e ainda sim conseguem embelezar mais ainda o que já é belo por natureza. Menina mulher da pele preta, branca ou morena seja lá qual for hoje é seu dia e se for capoeirista deixo minhas sinceras admirações por entender e perceber as dificuldades que uma capoeirista passa com o machismo dentro da capoeiragem e na sociedade em que vivemos. Feliz todos os dias da mulher!
Sendo assim no decorrer dessa semana apresentaremos duas entrevistas com duas mulheres que se destacam  na cena em que atuam, a Instrutora Chiquinha e a CM. Dana Breda. Espero que curtam!